HAITI
Não há em ti beleza,
há em ti escuridão e morte,
tremor de terra,
terror e medo.
Há em ti a impotência,
há em ti o espólio,
na instigante ganância
dos negociantes de gentes.
Há em ti a intriga,
o racismo
do raciocínio inferior
do homem branco.
Há em ti o clamor
pela paz,
pelo dissipar da discórdia
entre irmãos.
Há em ti mãos ensangüentadas,
na guerra
e no mistério demonizado
de teus ritos.
Há em ti a sensação
de desespero
e o grito lancinante
diante de tanta humilhação.
Em ti há
inversão de valores;
e os que te devem
te devoram deveras.
Há em ti, Haiti
o que há em mim,
e em teus escombros
escondo a vergonha
de nunca ter chorado por ti.
(Paulo Cruz)
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
terça-feira, 24 de novembro de 2009

COISA DE MENINO!
Fátima Nascimento
FUTEBOL É COISA DE MENINO!!! Dessa maneira, alto e em bom tom, era proferido o ultimato enfurecido, porém bem intencionado, desferido por minha irmã mais velha na minha direção, sempre que me flagrava encantada e seduzida por aquele folguedo, até então, de fato, considerado impróprio para mocinhas de família.
Minhas manas eram como profetizas denunciando pecados nacionais. E eu, pobrezinha, ficava sem entender nada de coisa alguma (ou resistia ferrenhamente a tal entendimento).
Era assim com o futebol. Os meninos chamavam aquela animada e divertida brincadeira de “pelada” – o que ajudava a piorar a situação, pois em minha meninice, mocinhas de família - meninas recatadas e educadas, não brincavam sozinhas com meninos, não usavam modelitos masculinizados, não se assentavam na rodinha dos moleques escarnecedores (se bem que eles eram endiabrados mesmo). Brincar num jogo com nome tão sugestivo então, nem pensar - quero dizer, em minha infância, meninas não jogavam futebol, nem “peladas” nem vestidas.
De quase nada adiantou tanta proibição. Consegui preservar a “castidade” e o bom nome da família, porém cresci amando, jogando, assistindo, vibrando e torcendo muito pelo futebol – fosse de campo, de salão, de várzea, fossem até as muitas peladas que assisti e joguei na vida...
O que me faz pensar, rindo baixinho, que muito antes que o Paulo judeu existisse pra mim, minhas irmãs e a cultura machista patriarcal da cidade onde nasci já eram!
Estou escrevendo depois de vibrar muito pelo time do coração neste brasileirão, e ainda depois de findo o jogo, ter zapeado incessantemente, na busca frenética por outros jogos – como escreveu o Eduardo Galeano em seu livro FUTEBOL AO SOL E À SOMBRA:
“Assumi minha identidade - não passo de um mendigo do bom futebol. Ando pelo mundo de chapéu na mão, e nos estádios suplico:
- Uma linda jogada, pelo amor de Deus!
E quando acontece o bom futebol, agradeço o milagre – sem me importar com o clube ou o país que o oferece”.
Futebol não é apenas coisa de menino...futebol é coisa pra quem ama o futebol e ponto final! Assim como ministério pastoral e tantos outros, não são coisas apenas de homens...são coisas pra quem ama o Reino de Jesus e ponto final!
Se Paulo pudesse dar uma espiadela na vida em nosso tempo e contemplar quão grande força as mulheres representam na igreja, nos campos missionários, no cenário universal da vida - e se pudesse ouvir alguns eruditos cientistas demonstrarem que as mulheres não são intelectualmente inferiores aos homens... alegrar-se-ia por certo. Celebraria a queda de muita barreira cultural, pelo menos em alguns espaços religiosos, nesse tropical País do futebol.
Se, além disso, pudesse ouvir algum sábio biólogo provar que, exceto no campo da força física (e em muitos casos nem aí), a mulher é fisicamente superior ao homem; e se pudesse ouvir notáveis teólogos e místicos demonstrarem que a mulher, por natureza, é mais intuitiva e, na realidade, mais espiritual que o homem, muito provavelmente sentir-se-ia 'tentado' a fazer uma releitura das muitas coisas que escreveu.
Como bom técnico que foi, escalaria todas as beldades de sua época, o que certamente criaria o Dream Team da igreja primitiva.
Que ninguém vá imaginar que eu nutra ressentimentos, ou mesmo rejeite previamente, o conjunto de idéias do apóstolo dos apóstolos. Afinal, por qual razão pensaríamos que algumas atitudes de Paulo não podem ser re-lidas e re-significadas?
Por que não pensaríamos que parte de seus ensinamentos não poderia ter sido colorido por costumes culturais locais, pela mentalidade antiga? As escrituras não foram escritas em um vácuo, e necessariamente foram coloridas em algumas instâncias, por tais fatores.
Contudo, na Bíblia rebrilha a verdade do Senhor Deus, ensinando com autoridade, tudo quanto é necessário para uma existência piedosa, humana e livre: “Tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, puro, amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus da paz estará com vocês". Cl 4:8,9
Então, a verdade salta aos olhos e enche a mente e o coração, quando o amado Paulo escreve em Gl. 3:26: “Desse modo não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”.
Com essa declaração o apóstolo se redime aos meus olhos e escapa de meu desejo de, encontrando-o, encostá-lo “amorosamente” na parede celestial, olhá-lo nos olhos e dizer: Hei, Pregador - lembra da parábola do rico e de Lázaro: pobre e faminto na terra, rico e saciado no céu? Pois é, nós mulheres, pobres, famintas e discriminadas na terra, porém maioria esmagadora aqui no céu, estamos pensando seriamente em propor e votar a favor do mutismo eterno dos homens por aqui - o que você acha disso heim?
sexta-feira, 20 de março de 2009
Bem aventurados os que choram!
Felizes os que choram, porque serão consolados.
Tantas vezes tal verso ouvi...tantas vezes o repeti...
mas tantas outras, em seu real sentido me perdi.
Eis-me chorando tanto sem consolo...por minhas dores...
meus desencantos...meus êxtases...minhas não conquistas.
Temores? Ah! Quantos...a perder de vista!
Quão copiosamente por vaidade choro,
pela roupa nova que não compro,
pela nova ruga que me mostra o espelho.
Céus! E esse novo fio branco no cabelo!
Ah! Como esse tempo cruel me maltrata
insistindo em passar...em marcar..que vida ingrata!
Sofro tanta dor, tanta humilhação
sem um carro novo, sem bens, só com a ambição.
E a minha casa?...rente à rua...
logo eu que sonhava com um apê na cobertura.
Ah! Eu choro...sem consolo, um choro desapontado...
pois nem o menor dos meus sonhos foi realizado.
Afinal, não são felizes os que choram? Pois sei chorar.
Como já chorei! Como choro ainda!
Choro pelos meus anseios, pela dor infinda
de não ter tudo que quero, de não ser tudo que almejo.
Choro de raiva, de tédio, pelo sufocar destes desejos
tão intensos...tão egoístas, mas...tão meus!
E agora, o que é isso que vejo passar rapidamente
neste meu mar de lágrimas denso e tão pungente?
São destroços, cadáveres arrastados pelas enchentes.
Vejo a miséria, a fome, pedaços de gente,
crianças desonradas, sem vida, sem amor.
Por favor, escondam esse quadro - recuso-me a chorar essa dor.
Mas são tantos seres desesperados,
famílias destruídas, filhos bêbados, drogados.
São os sem teto, os sem chão,
são os sem paz, os sem opção.
E esse mendigo que me toca...e com voz serena
tenta consolar-me e me olha com...pena?!?
De mim? Ele? Sinto seu mau cheiro... olho suas roupas...que trapo!
Mas quando encontro seu olhar, percebo quem sou eu de fato.
Livre então das vendas, desabo encurvado
pelo peso medonho de meu horrível pecado.
Pecado da omissão, do desdém, do egoísmo,
pecado de me manter tão alheio ao choro Divino.
E no olhar do mendigo encontro O de Cristo...Aquele dos fracos,
dos abatidos, dos desesperados, dos oprimidos tão castigados.
Mudo então meu choro...eu sei, vou chorar ainda...
porém agora, pelos que perdem eternamente a vida.
Pelos que em pavor imenso vivem à mercê da própria sorte.
Sonho novo sonho... fazer do choro Divino o verdadeiro pranto meu.
Quero aprender a chorar com os olhos e o coração de Deus!
Tantas vezes tal verso ouvi...tantas vezes o repeti...
mas tantas outras, em seu real sentido me perdi.
Eis-me chorando tanto sem consolo...por minhas dores...
meus desencantos...meus êxtases...minhas não conquistas.
Temores? Ah! Quantos...a perder de vista!
Quão copiosamente por vaidade choro,
pela roupa nova que não compro,
pela nova ruga que me mostra o espelho.
Céus! E esse novo fio branco no cabelo!
Ah! Como esse tempo cruel me maltrata
insistindo em passar...em marcar..que vida ingrata!
Sofro tanta dor, tanta humilhação
sem um carro novo, sem bens, só com a ambição.
E a minha casa?...rente à rua...
logo eu que sonhava com um apê na cobertura.
Ah! Eu choro...sem consolo, um choro desapontado...
pois nem o menor dos meus sonhos foi realizado.
Afinal, não são felizes os que choram? Pois sei chorar.
Como já chorei! Como choro ainda!
Choro pelos meus anseios, pela dor infinda
de não ter tudo que quero, de não ser tudo que almejo.
Choro de raiva, de tédio, pelo sufocar destes desejos
tão intensos...tão egoístas, mas...tão meus!
E agora, o que é isso que vejo passar rapidamente
neste meu mar de lágrimas denso e tão pungente?
São destroços, cadáveres arrastados pelas enchentes.
Vejo a miséria, a fome, pedaços de gente,
crianças desonradas, sem vida, sem amor.
Por favor, escondam esse quadro - recuso-me a chorar essa dor.
Mas são tantos seres desesperados,
famílias destruídas, filhos bêbados, drogados.
São os sem teto, os sem chão,
são os sem paz, os sem opção.
E esse mendigo que me toca...e com voz serena
tenta consolar-me e me olha com...pena?!?
De mim? Ele? Sinto seu mau cheiro... olho suas roupas...que trapo!
Mas quando encontro seu olhar, percebo quem sou eu de fato.
Livre então das vendas, desabo encurvado
pelo peso medonho de meu horrível pecado.
Pecado da omissão, do desdém, do egoísmo,
pecado de me manter tão alheio ao choro Divino.
E no olhar do mendigo encontro O de Cristo...Aquele dos fracos,
dos abatidos, dos desesperados, dos oprimidos tão castigados.
Mudo então meu choro...eu sei, vou chorar ainda...
porém agora, pelos que perdem eternamente a vida.
Pelos que em pavor imenso vivem à mercê da própria sorte.
Sonho novo sonho... fazer do choro Divino o verdadeiro pranto meu.
Quero aprender a chorar com os olhos e o coração de Deus!
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Sobre nossa missão no sul de MinasPastora Fátima Nascimento – Betesda Lavras
Nossa missão em Lavras tem sido Emanuelizada nos grandes e pequenos acontecimentos.
Sustentados que somos pelo Deus Pai e Mãe de infinita misericórdia, procuramos ter olhos para enriquecer gestos e momentos do cotidiano, trans-parente de Eternidade.
Cremos que apenas Deus em Cristo preenche a lacuna existente no ser humano. Só a vida da Vida, o Infinito em todas as direções, o Supremo Bem, o Prazer seguro, o Caminho que vai por todo caminho, só o Pão, a Água da vida é capaz de dar conta da miserabilidade humanal, tão abundante e crescente na história.
Eis a nossa pregação: o engajamento num projeto de amor (Igreja) que gere alianças, supere divergências e respeite a diversidade, criando uma esplêndida solidariedade cósmica – paz na terra aos alvos da boa vontade Divina. Para tanto Leonardo Boff adverte-nos:
“(...) temos que passar a realidade, não os catecismos. Eles são interpretações religiosas da realidade e como tais não perdem seu valor. São, porém, interpretação de algo anterior a eles, algo que queremos decifrar”.
Todo um trabalho conjunto, todo um esforço pela recuperação de uma imagem divina redentora, da confiança dos povos e inspiradora de projetos e ações de fraternidade, igualdade e justiça social, contra o mal e o sofrimento erradicáveis, contra o medo e angústia tão freqüentes na enferma espiritualidade de nossos dias.
Só quem sai de si permanece em casa e só quem dá de si recebe alguma coisa!
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